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Onde estou?

  • Foto do escritor: Ap. Ernani Lara
    Ap. Ernani Lara
  • há 1 dia
  • 9 min de leitura


A carta de Judas, é pequena, mas nos revela os maiores segredos, inclusive ela me mostra, onde eu me encontro dentro dela, a fim de que eu seja transformado e renovado, além de me preparar para o dia do arrebatamento.
A carta de Judas, é pequena, mas nos revela os maiores segredos, inclusive ela me mostra, onde eu me encontro dentro dela, a fim de que eu seja transformado e renovado, além de me preparar para o dia do arrebatamento.


ONDE ESTOU


ONDE VOCÊ ESTÁ NA CARTA DE JUDAS?

Texto para leitura, reflexão e crescimento espiritual

Texto base: Judas 1:3

“Amados, procurando eu escrever vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever vos e exortar vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.”

Há livros da Bíblia que impressionam pelo tamanho. Outros impressionam pela profundidade. A carta de Judas possui apenas um capítulo, mas suas poucas linhas carregam uma advertência que atravessou quase dois mil anos e continua atual.

Judas não escreveu para pessoas que desconheciam Deus. Escreveu para cristãos.

Logo no início, identifica seus leitores como pessoas “chamadas, amadas em Deus Pai e guardadas em Jesus Cristo”, conforme Judas 1:1.

Portanto, quando abrimos essa carta, não devemos procurar imediatamente outra pessoa para quem suas advertências poderiam servir.

Precisamos primeiro procurar a nós mesmos.

Talvez essa seja a melhor pergunta para acompanhar toda a leitura:

Onde estou na carta de Judas?

Entre os vigilantes ou entre os acomodados?

Entre aqueles que defendem a fé ou entre aqueles que lentamente estão permitindo que o mundo determine aquilo em que acreditam?

Entre aqueles que permanecem ou entre aqueles que apenas começaram?


QUANDO JUDAS PRECISOU MUDAR O ASSUNTO

Judas pretendia escrever sobre algo agradável.

Ele queria falar sobre a salvação que todos os cristãos compartilham.

Mas alguma coisa aconteceu.

Ele percebeu que a Igreja estava enfrentando um perigo e mudou o assunto.

Judas 1:3

“Amados, procurando eu escrever vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever vos e exortar vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.”

A palavra “batalhar” transmite a ideia de esforço intenso.

Judas está dizendo:

A fé precisa ser preservada.

Não precisamos inventar um novo Evangelho para cada geração.

Precisamos transmitir fielmente aquilo que recebemos.

Paulo escreveu algo semelhante:

Gálatas 1:8

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.”

Existe uma diferença enorme entre comunicar o Evangelho de maneira atual e modificar o conteúdo do Evangelho para torná lo aceitável à sociedade.

A linguagem pode mudar.

Os recursos podem mudar.

A tecnologia pode mudar.

Os métodos podem mudar.

Mas a verdade não pode mudar.

O PERIGO QUE ENTROU SEM BATER À PORTA

O problema denunciado por Judas não estava apenas do lado de fora.

Ele escreve:

Judas 1:4

“Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.”

Eles entraram silenciosamente.

Não chegaram dizendo:

“Viemos destruir a Igreja.”

Provavelmente conheciam a linguagem religiosa.

Falavam sobre Deus.

Falavam sobre graça.

Talvez conhecessem as Escrituras.

O problema estava naquilo que fizeram com a graça.

Transformaram liberdade em libertinagem.

É possível falar sobre a graça e não compreender a graça.

Porque a verdadeira graça não apenas perdoa o pecador.

Ela também transforma o pecador.

Paulo perguntou:

Romanos 6:1 e 2

“Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum.”

Graça não significa que Deus deixou de considerar o pecado pecado.

Graça significa que Cristo assumiu nossa condenação e agora nos chama para uma nova vida.

Jesus não deseja ser apenas Salvador.

Ele também é Senhor.

E existe uma diferença profunda entre querer que Jesus resolva nossos problemas e permitir que Jesus governe nossas escolhas.

QUANDO O PASSADO SE TRANSFORMA EM ESPELHO

Judas então abre o arquivo da história.

Ele começa a apresentar acontecimentos conhecidos de seus leitores.

Primeiro, Israel.

Deus libertou aquela geração do Egito.

Eles viram coisas extraordinárias.

Viram as pragas.

Viram o Mar Vermelho aberto.

Comeram o maná.

Beberam água que Deus providenciou no deserto.

Foram conduzidos pela presença divina.

Entretanto, Judas lembra:

Judas 1:5

“Mas quero lembrar vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o Senhor salvado um povo, tirando o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram.”

Aqui encontramos uma verdade desconfortável:

Experiências espirituais do passado não substituem fidelidade no presente.

Não basta dizer:

“Um dia eu tive uma experiência com Deus.”

“Um dia eu fui usado.”

“Um dia eu evangelizava.”

“Um dia eu orava.”

“Um dia eu era fiel.”

A pergunta bíblica é:

Como está minha vida com Deus hoje?

Israel começou uma caminhada extraordinária.

Mas muitos morreram no deserto.

Saíram do Egito, mas não entraram em Canaã.

Começar é importante.

Permanecer é indispensável.

Jesus declarou:

Mateus 24:13

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.”

POSIÇÃO NÃO SUBSTITUI OBEDIÊNCIA

Judas apresenta outro exemplo.

Judas 1:6

“E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande Dia.”

O princípio apresentado é sério.

Eles possuíam posição.

Mas posição não substitui submissão.

Isso também serve como advertência para nós.

Título não preserva ninguém.

Cargo não preserva ninguém.

Tempo de igreja não preserva ninguém.

Conhecimento teológico, isoladamente, não preserva ninguém.

O que importa é permanecer debaixo do governo de Deus.

Jesus advertiu:

Mateus 7:21

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

É possível conhecer a linguagem do Reino sem viver debaixo do governo do Rei.

QUANDO A SOCIEDADE MUDA OS NOMES, MAS DEUS NÃO MUDA A VERDADE

Judas então menciona Sodoma e Gomorra.

Judas 1:7

“Assim como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo se corrompido como aqueles e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.”

Judas utiliza aquelas cidades como advertência histórica sobre rebelião e imoralidade.

E isso nos apresenta uma pergunta necessária:

Estamos aprendendo com a história ou apenas repetindo antigos erros utilizando nomes modernos?

Cada geração possui suas próprias maneiras de tentar redefinir aquilo que Deus estabeleceu.

Mas o caráter de Deus não acompanha as tendências culturais.

Malaquias 3:6

“Porque eu, o Senhor, não mudo.”

Deus continua sendo amoroso.

Continua sendo misericordioso.

Continua sendo paciente.

E continua sendo santo.

A graça nunca anulou a santidade.

NUVENS QUE PROMETEM CHUVA

A partir do versículo 8, Judas começa a descrever os falsos mestres.

E suas imagens são extraordinárias.

Ele os chama de:

“Nuvens sem água.”

Imagine um agricultor.

A terra está seca.

A plantação precisa desesperadamente de chuva.

Ele olha para o horizonte e vê grandes nuvens se aproximando.

Seu coração se alegra.

Finalmente choverá.

As nuvens chegam.

Passam sobre sua propriedade.

Mas nenhuma gota cai.

Essa é uma das imagens utilizadas por Judas.

Judas 1:12

“Nuvens sem água, levadas pelos ventos.”

Parecem promissoras.

Mas não possuem conteúdo.

Depois Judas os chama de:

“Árvores murchas, infrutíferas.”

Uma árvore pode ser grande.

Pode possuir muitas folhas.

Pode impressionar quem passa.

Mas Jesus ensinou:

Mateus 7:20

“Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.”

Deus não procura apenas aparência.

Procura fruto.

Por isso a pergunta precisa voltar para nós.

Que fruto minha vida está produzindo?

Não apenas:

Quanto conheço?

Quanto falo?

Quanto apareço?

Mas:

Estou mais parecido com Cristo?

Tenho perdoado mais?

Tenho amado mais?

Tenho vencido pecados?

Tenho servido?

Tenho evangelizado?

Tenho sido fiel?

Minha família consegue perceber Cristo em mim?

Porque uma árvore não é reconhecida pelo barulho que faz.

É reconhecida pelo fruto que produz.

ESTRELAS QUE PERDERAM A DIREÇÃO

Judas ainda utiliza outra expressão:

Judas 1:13

“Estrelas errantes, para as quais está eternamente reservada a negrura das trevas.”

Durante séculos, navegadores utilizaram estrelas como referência para encontrar direção.

Uma estrela servia como ponto de orientação justamente porque sua posição parecia constante.

Imagine tentar navegar utilizando uma estrela que muda continuamente de posição.

Você se perderia.

Judas está descrevendo pessoas sem referência espiritual segura.

Hoje acreditam numa coisa.

Amanhã acreditam em outra.

Hoje seguem a Escritura.

Amanhã seguem a opinião popular.

Depois seguem aquilo que lhes proporciona alguma vantagem.

Mas o cristão precisa possuir uma referência.

E essa referência continua sendo a Palavra de Deus.

Salmo 119:105

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.”

PASTORES QUE ALIMENTAM A SI MESMOS

Judas também denuncia pessoas que utilizam a espiritualidade para benefício próprio.

Essa denúncia possui paralelo impressionante em Ezequiel.

Ezequiel 34:2

“Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?”

Essa é uma advertência especialmente séria para qualquer pessoa que exerce liderança espiritual.

Ministério não existe para alimentar o ego do ministro.

Púlpito não existe para construir celebridades.

Ovelhas não existem para servir pastores.

Pastores existem para cuidar das ovelhas.

Jesus estabeleceu o modelo:

João 10:11

“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.”

Quanto maior a posição, maior deve ser a responsabilidade.

Quanto maior a influência, maior deve ser o temor.

Quanto maior o púlpito, maior precisa ser a humildade.

MAS COMO PERMANECER DE PÉ?

Depois de tantas advertências, poderíamos perguntar:

Como sobreviver espiritualmente em tempos de tanta confusão?

Judas responde.

E talvez essa seja a parte mais importante da carta.

Ele apresenta quatro atitudes.

1. VOLTE À PALAVRA

Judas 1:17

“Mas vós, amados, lembrai vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Quando surgirem novidades espirituais, compare com a Palavra.

Quando aparecer uma nova doutrina, compare com a Palavra.

Quando alguém disser “Deus me revelou”, compare com a Palavra.

A Bíblia não precisa concordar conosco.

Nós precisamos concordar com a Bíblia.

2. EDIFIQUE A SUA FÉ

Judas 1:20

“Mas vós, amados, edificando vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé.”

Uma casa não aparece pronta.

Ela é construída.

Tijolo após tijolo.

Camada após camada.

Assim também acontece com nossa vida espiritual.

Ninguém amadurece espiritualmente por acidente.

Precisamos ler.

Estudar.

Ouvir.

Aprender.

Praticar.

Congregar.

Servir.

Obedecer.

A fé precisa ser edificada.

3. ORE NO ESPÍRITO SANTO

O mesmo versículo continua:

“Orando no Espírito Santo.”

Existe oração que é apenas repetição de palavras.

Mas existe oração que nasce de comunhão.

Paulo escreveu:

Romanos 8:26

“O Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém.”

Quanto maior a confusão ao nosso redor, maior precisa ser nossa comunhão com Deus.

4. CONSERVE SE NO AMOR DE DEUS

Judas 1:21

“Conservai vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.”

Isso não significa conquistar o amor de Deus.

Significa permanecer vivendo conscientemente debaixo desse amor, em fé e obediência.

Jesus ensinou:

João 15:10

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.”

Amor e obediência não são inimigos.

Na vida cristã, caminham juntos.

E OS QUE ESTÃO SE PERDENDO?

Judas não ensina a Igreja apenas a proteger a si mesma.

Também ensina a olhar para aqueles que estão em perigo.

Judas 1:22 e 23

“E apiedai vos de alguns que estão duvidosos; e salvai alguns, arrebatando os do fogo.”

Que equilíbrio maravilhoso.

Defender a verdade não significa perder a misericórdia.

Precisamos combater o erro sem deixar de amar aquele que está sendo enganado.

Existem pessoas que precisam de correção.

Outras precisam de paciência.

Algumas precisam ser despertadas.

Outras precisam ser resgatadas.

A Igreja não foi chamada apenas para identificar quem está caindo.

Foi chamada para estender a mão.

QUEM NOS MANTÉM DE PÉ?

Depois de falar sobre responsabilidade, vigilância, perseverança e santidade, Judas termina olhando para Deus.

Judas 1:24 e 25

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém!”

Que maneira extraordinária de terminar.

Judas começou dizendo que somos guardados em Jesus Cristo.

E termina dizendo que Deus é poderoso para nos guardar de tropeçar.

Existe responsabilidade humana.

Mas existe também graça divina.

Eu preciso vigiar.

Eu preciso orar.

Eu preciso permanecer.

Eu preciso conhecer a Palavra.

Eu preciso batalhar pela fé.

Mas minha segurança final não está simplesmente na força das minhas mãos segurando Deus.

Está também no poder das mãos de Deus me sustentando.

ONDE VOCÊ ESTÁ NESSA CARTA?

Agora feche por alguns instantes a porta das acusações.

Não pense no pregador que você conhece.

Não pense naquela igreja.

Não pense naquele irmão.

Não pense naquele falso mestre.

Olhe para dentro.

Onde você está na carta de Judas?

Sua fé está mais forte hoje do que há alguns anos?

Sua vida de oração cresceu?

Seu conhecimento da Palavra aumentou?

Seu caráter está mais parecido com Cristo?

Você continua sensível ao pecado?

Ainda existe paixão pela presença de Deus?

Ainda existe desejo de ganhar pessoas para Jesus?

Ainda existe alegria em servir?

Ou alguma coisa foi se apagando silenciosamente?

Talvez você não tenha abandonado a igreja.

Talvez apenas tenha diminuído a intensidade.

Continua presente, mas já não busca como buscava.

Continua cantando, mas já não sente como sentia.

Continua ouvindo a Palavra, mas já não permite que ela confronte determinadas áreas.

Continua acreditando.

Mas parou de batalhar.

E talvez seja exatamente para essa pessoa que Judas continua dizendo:

“Batalhai pela fé.”

Não entregue aquilo que Deus colocou em suas mãos.

Não permita que a cultura determine sua fé.

Não permita que a acomodação substitua sua comunhão.

Não viva apenas das experiências de ontem.

Deus continua tendo graça para você hoje.

Edifique sua fé.

Volte à Palavra.

Ore no Espírito Santo.

Permaneça no amor de Deus.

Ajude quem está enfraquecendo.

E continue caminhando.

Porque nossa história não termina simplesmente com nossa capacidade de permanecer de pé.

Termina com uma promessa muito maior:

Existe um Deus poderoso para nos guardar de tropeçar.

Um dia nossa caminhada terminará.

As batalhas terminarão.

As tentações terminarão.

As lágrimas terminarão.

E aqueles que permanecerem em Cristo estarão diante da Sua glória.

Por isso, não abandone sua posição.

Não negocie sua fé.

Não transforme a graça em desculpa.

Não permita que seu coração adormeça.

Permaneça.

Porque o mesmo Deus que chamou você é poderoso para guardar você.

E Judas nos deixa olhando para esse dia:

“Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória.”Judas 1:24

Essa é a nossa esperança.

Não apenas começar com Cristo, mas permanecer em Cristo até sermos apresentados diante da Sua glória.

Amém.

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