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A semente e você

  • Foto do escritor: Ap. Ernani Lara
    Ap. Ernani Lara
  • 12 de ago.
  • 4 min de leitura
A semente e você é um dialogo entre dois amigos, com base em Mateus 13:4 a 9.
A semente e você, descreve as quatro situações possíveis da sociedade e por conseguinte a nossa situação.

A semente e você.


Mateus 13:4 a 9

Antônio: Marcelo, deixa eu te fazer uma pergunta. O que realmente determina o tipo de fruto que uma vida produz?

Marcelo: Eu diria que é uma combinação entre a semente e o solo que a recebe.

Antônio: Também penso assim. E quando trazemos isso para Mateus 13, a semente é a Palavra de Deus. Ela é boa. Então o problema não está na semente.

Marcelo: Está no solo.

Antônio: Exatamente. E o solo representa o coração. Por isso Jesus fala de quatro tipos diferentes de terreno. A mesma semente é lançada, mas os resultados são completamente diferentes.

Marcelo: Então aqueles quatro solos revelam quatro maneiras de reagir à Palavra? Incluvive, me diga como esta a semente e você!

Antônio: É isso. Veja o primeiro. A semente cai à beira do caminho e não consegue penetrar. Depois vêm as aves e a levam.

Marcelo: Jesus explica que isso acontece quando alguém ouve a Palavra, mas não a compreende, e o maligno tira aquilo que foi semeado no coração.

Antônio: E sabe o que me chama atenção? Um caminho fica duro porque é constantemente pisado.

Marcelo: Isso também acontece com o coração. Decepções, frustrações, traumas, pecados não tratados...

Antônio: Exatamente. A pessoa continua ouvindo, mas já não absorve. A Palavra chega aos ouvidos, porém encontra dificuldade para penetrar profundamente no coração.

Marcelo: Depois Jesus fala do terreno pedregoso.

Antônio: Esse é interessante porque recebe a Palavra imediatamente e com alegria.

Marcelo: Parece ótimo.

Antônio: Parece. Mas Jesus diz que não tem raiz.

Marcelo: Então estamos falando daquela pessoa que se entusiasma facilmente, mas não permanece quando chega a dificuldade.

Antônio: Exatamente. Ela vibra, emociona-se, começa cheia de disposição. Mas quando chegam a pressão e a perseguição por causa da Palavra, ela tropeça.

Marcelo: Porque emoção não é raiz.

Antônio: Perfeito! Criar raízes espirituais exige profundidade. Comunhão, oração, Palavra, compromisso, constância.

Marcelo: Raiz é aquilo que sustenta a planta quando chega o calor.

Antônio: E ninguém vê a raiz crescendo.

Marcelo: Interessante isso...

Antônio: As pessoas veem o fruto, mas Deus vê a raiz. A vida pública de um cristão nunca será mais forte do que aquilo que ele constrói em secreto com Deus.

Marcelo: Agora chegamos ao terceiro solo. Os espinhos.

Antônio: Talvez seja um dos mais perigosos.

Marcelo: Por quê?

Antônio: Porque a planta nasceu. Ela não morreu imediatamente. O problema é que outras coisas começaram a crescer junto com ela.

Marcelo: Jesus fala das preocupações desta vida e do engano das riquezas.

Antônio: Exatamente. Ansiedade, preocupações, desejos, dinheiro, compromissos... coisas que começam a disputar espaço com Deus.

Marcelo: Então os espinhos nem sempre arrancam a pessoa da igreja.

Antônio: Não. Esse é justamente o perigo. Ela pode continuar frequentando, continuar ouvindo a Palavra e até continuar servindo. Mas espiritualmente está sendo sufocada.

Marcelo: Aos poucos.

Antônio: Aos poucos. Os espinhos são silenciosos. Quando a pessoa percebe, perdeu a sensibilidade, perdeu a força espiritual e deixou de produzir fruto.

Marcelo: A planta está viva, mas improdutiva.

Antônio: Exatamente.

Marcelo: E finalmente chegamos à boa terra.

Antônio: Agora tudo muda. Jesus fala de um coração que recebe a Palavra, entende e produz fruto.

Marcelo: Então não basta ouvir.

Antônio: Nunca bastou. A Palavra precisa entrar, criar raízes e transformar a vida.

Marcelo: E esse coração também precisa permitir que Deus trabalhe nele.

Antônio: Claro. Terra boa não significa terra que nunca precisou de tratamento. Significa terra preparada. Foi arada, pedras foram retiradas, espinhos foram arrancados.

Marcelo: Isso significa aceitar correção.

Antônio: Aceitar correção, tratamento, mudança e, quando necessário, poda.

Marcelo: Jesus diz que essa terra produz cem, sessenta e trinta por um.

Antônio: E aí encontramos algo maravilhoso. Existe diferença na quantidade da produção, mas existe uma característica comum em toda boa terra.

Marcelo: Ela produz.

Antônio: Exatamente! Onde a Palavra encontra um coração receptivo, aparece fruto.

Marcelo: Então por que algumas pessoas frutificam tanto e outras tão pouco, mesmo ouvindo a mesma Palavra?

Antônio: Porque a Palavra é a mesma, mas os corações não são. A disposição para obedecer não é a mesma. A profundidade espiritual não é a mesma. A constância também não é.

Marcelo: Então frutificar não significa simplesmente conhecer mais Bíblia.

Antônio: Não. Frutificar é permitir que aquilo que conhecemos produza transformação.

Marcelo: Como?

Antônio: Mudança de caráter, mudança nas escolhas, crescimento espiritual, santidade, amor pelas pessoas, serviço, evangelização, fortalecimento de outros e multiplicação de discípulos.

Marcelo: Então existe uma maneira simples de descobrir como está o nosso solo.

Antônio: Qual?

Marcelo: Olhar para os frutos.

Antônio: Exatamente. Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes dessa conversa: O que a Palavra que tenho ouvido está produzindo em mim?

Marcelo: Porque, se estou ouvindo há anos, alguma coisa deveria estar mudando.

Antônio: É exatamente isso.

Marcelo: Mas e quando olho para dentro e descubro pedras? Ou percebo que existem espinhos crescendo?

Antônio: Aí encontramos uma das coisas mais bonitas dessa parábola: o solo pode ser trabalhado.

Marcelo: Um coração endurecido pode voltar a ser fértil.

Antônio: Pode. O Espírito Santo pode trabalhar esse coração. Mas precisamos permitir.

Marcelo: Tirar pedras dói.

Antônio: Às vezes dói.

Marcelo: Arrancar espinhos também.

Antônio: Também. Porque alguns espinhos já fazem parte da nossa vida há tanto tempo que começamos a achar que pertencem a nós.

Marcelo: Mas não existe colheita abundante sem preparação do solo.

Antônio: Exatamente.

Marcelo: Então talvez a pergunta final de Jesus não seja complicada.

Antônio: Não é. Ele simplesmente diz: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

Marcelo: Ou seja, não basta escutar.

Antônio: É preciso responder.

Marcelo: Então, Antônio, se tivéssemos que resumir toda essa conversa em uma única verdade, qual seria?

Antônio: Eu diria assim: a semente continua sendo boa. A Palavra continua tendo poder. A grande questão é o coração que a recebe.

Marcelo: E nenhum coração precisa permanecer para sempre como está.

Antônio: Exatamente. Essa é a esperança.

O coração endurecido pode ser tratado.

As pedras podem ser retiradas.

Os espinhos podem ser arrancados.

A terra pode ser preparada.

E quando a Palavra encontra um coração disponível para Deus...

Marcelo: ...a colheita aparece.

Antônio: Trinta.

Marcelo: Sessenta.

Antônio: Cem por um.

Marcelo: Então a pergunta não é se Deus ainda está semeando.

Antônio: A pergunta é:

Como está o solo do nosso coração?


Ap. Ernani Lara

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