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As lágrimas de Jesus

  • Foto do escritor: Ap. Ernani Lara
    Ap. Ernani Lara
  • 12 de ago.
  • 7 min de leitura

AS LÁGRIMAS DE JESUS, NÃO REFLETE DOR, PELA PERDA, MAS DOR, PELA INDIFERENÇA E PELA FALTA DE ESPERANÇA.
Jesus ao olhar para Jerusalem, chorou, por causa da sua incredulidade, ele agora chora, por causa da tua indiferença.

As lágrima de Jesus


A base dessa mensagem está em Evangelho de Lucas cpítulo 19 e versos 40 a 44.


Jerusalém estava em festa.

As ruas estavam cheias. Havia gente por todos os lados. Vozes se misturavam, passos apressados levantavam poeira e uma multidão acompanhava Jesus enquanto Ele se aproximava da cidade.

Alguns estendiam suas capas pelo caminho. Outros cortavam ramos. Muitos levantavam a voz celebrando aquilo que seus olhos estavam vendo.

Jesus vinha montado sobre um jumentinho.

Parecia um dia de triunfo.

Parecia um dia de alegria.

Parecia que finalmente Jerusalém havia reconhecido o seu Rei.

Alguns fariseus, incomodados com o entusiasmo da multidão, aproximaram-se de Jesus e pediram que Ele repreendesse os discípulos.

Foi então que Jesus respondeu:

“Eu lhes digo: se eles se calarem, as pedras clamarão.”Lucas 19:40

Era impossível silenciar aquele momento.

O Rei estava chegando.

A profecia estava diante deles.

Séculos de expectativa estavam se cumprindo diante dos olhos daquela geração.

Mas havia algo profundamente contraditório naquela cena.

A multidão estava sorrindo, mas Jesus estava chorando.


AS LÁGRIMAS DO REI

Enquanto todos olhavam para Jesus, Jesus olhava para Jerusalém.

E quando a cidade apareceu diante dos seus olhos, aconteceu algo surpreendente.

Jesus chorou.

Não eram lágrimas de fraqueza.

Eram lágrimas de amor.

António Vieira escreveu que as lágrimas são “o destilado da dor”.

Talvez poucas imagens descrevam tão bem aquele momento.

Porque existem dores que as palavras não conseguem explicar.

Existem sentimentos tão profundos que o coração já não consegue guardá-los.

Então os olhos falam. E Jesus chorou.

O Evangelho não nos apresenta naquele momento um Cristo distante, indiferente ao destino das pessoas.

Apresenta-nos um Salvador profundamente comovido.

Ele olhou para Jerusalém e viu muito mais do que construções, ruas, comércio e o majestoso templo.

Jesus viu pessoas. Viu famílias. Viu crianças.Viu sacerdotes. Viu religiosos.

Viu uma geração inteira tão perto de Deus e, ao mesmo tempo, incapaz de reconhecer que Deus estava diante dela.

Então disse:

“Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz!”

Que frase dolorosa.

“Se você compreendesse...”

Jerusalém tinha religião.

Tinha templo. Tinha sacerdotes.Tinha sacrifícios. Tinha festas.


Tinha Escrituras.

Mas não reconheceu Jesus.

Era possível estar cercado de coisas sagradas e ainda assim não perceber a presença do próprio Deus.


HAVIA LOUVOR, MAS JESUS CONHECIA OS CORAÇÕES

As pessoas cantavam.

Celebravam.

Aclamavam.

Humanamente, qualquer líder ficaria impressionado com aquela multidão.

Mas Jesus nunca foi impressionado simplesmente pelo tamanho de uma multidão.

Ele conhecia o coração.

Parte daquela celebração estava ligada às expectativas que as pessoas haviam criado a respeito Dele.

Muitos esperavam um libertador político. Outros estavam impressionados pelos milagres. Outros simplesmente acompanhavam aquilo que estava acontecendo.

O problema não estava no louvor sincero dos discípulos. Jesus inclusive recusou silenciá-los.

O problema estava em algo mais profundo.

Era possível celebrar a chegada de Jesus sem compreender plenamente quem Jesus era.

Essa continua sendo uma advertência para a Igreja.

Podemos cantar e não obedecer.

Podemos levantar as mãos e manter o coração distante.

Podemos frequentar cultos e continuar resistindo à voz do Espírito Santo.

Podemos conhecer a linguagem da igreja e ainda não permitir que Cristo governe determinadas áreas da nossa vida.

Deus não procura apenas o som da nossa adoração.

Ele procura a verdade da nossa entrega.


UMA CIDADE RELIGIOSA QUE NÃO RECONHECEU DEUS

Talvez essa seja a parte mais impressionante da história.

Jesus não estava chorando sobre uma cidade pagã.

Estava chorando sobre Jerusalém.

Ali estava o templo.

Ali os sacerdotes ministravam.

Ali os sacrifícios eram apresentados.

Ali as Escrituras eram lidas.

Ali gerações haviam aprendido sobre a promessa do Messias.

E quando o Messias chegou...

muitos não o reconheceram.

A religião havia se tornado tão familiar que alguns conheciam os rituais, mas não reconheceram o Senhor dos rituais.

Conheciam as profecias, mas não perceberam o cumprimento delas diante de seus olhos.

Conheciam a promessa, mas rejeitaram Aquele para quem a promessa apontava.

Isso deveria nos fazer pensar.

É possível conhecer a Bíblia e não permitir que ela transforme nosso caráter.

É possível conhecer os cânticos e perder a sensibilidade espiritual.

É possível conhecer os costumes da igreja e deixar de perceber aquilo que Deus está fazendo.

A familiaridade com o sagrado nunca pode substituir a comunhão com Deus.


JESUS VIU O QUE ELES AINDA NÃO CONSEGUIAM VER

Enquanto Jerusalém vivia aquele dia, Jesus enxergava além daquele dia.

Ele disse:

“Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, a rodearão e a cercarão de todos os lados.”

A cidade continuava funcionando.

Os comerciantes continuavam trabalhando.

As famílias continuavam fazendo seus planos.

O templo continuava recebendo pessoas.

Aparentemente tudo estava normal.

Mas Jesus enxergava o futuro.

Décadas mais tarde, no ano 70 d.C., as forças romanas sob Tito cercariam Jerusalém. A guerra produziria sofrimento terrível, e o templo seria destruído.

Jesus sabia.

Jerusalém ainda não conseguia enxergar.

Por isso Ele chorou.

Talvez uma das maiores expressões do amor de Deus seja esta:

Deus nos adverte hoje porque consegue ver o amanhã que nós ainda não conseguimos enxergar.

Quando Deus diz “não vá”, talvez esteja vendo algo que você não vê.

Quando Deus diz “volte”, talvez esteja tentando preservar algo que você ainda não percebe que está perdendo.

Quando Deus chama ao arrependimento, não está tentando destruir nossa felicidade.

Está tentando salvar nosso futuro.


A DOR DA INGRATIDÃO

Jesus havia caminhado por aquelas terras fazendo o bem.

Cegos haviam recebido visão.

Paralíticos haviam caminhado.

Leprosos haviam sido purificados.

Famílias haviam recebido seus mortos de volta.

Pecadores haviam encontrado perdão.

Pessoas desprezadas haviam recuperado dignidade.

Jesus havia ensinado, curado, alimentado e acolhido.

E mesmo assim seria rejeitado.

Mas talvez a maior dor não fosse simplesmente ser rejeitado.

A maior dor era saber o que Jerusalém estava rejeitando.

Eles não estavam apenas recusando um pregador.

Estavam recusando a paz.

Estavam recusando a graça.

Estavam recusando a oportunidade.

Estavam recusando Jesus.

Por isso Ele declara:

“Você não reconheceu a oportunidade que Deus lhe concedeu.”

Há oportunidades que passam novamente.

Mas existem momentos que pertencem a uma determinada estação da vida.

Há portas que Deus abre.

Há palavras que Deus envia.

Há pessoas que Deus coloca em nosso caminho.

Há cultos em que Deus fala profundamente conosco.

Há momentos em que sentimos claramente:

“Deus está falando comigo.”

Esse momento precisa ser valorizado.


O TEMPO DA VISITAÇÃO

Talvez aqui esteja o centro de toda essa história.

Jerusalém não reconheceu o tempo da visitação.

Deus estava visitando seu povo.

Não através de um conceito.

Não através de uma filosofia.

Deus estava diante deles na pessoa de Jesus Cristo.

João escreveu:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”João 1:14

A eternidade havia entrado na história.

O Criador caminhava entre a criação.

Aquele que os profetas anunciaram estava diante deles.

E muitos não perceberam.

Essa é uma das maiores tragédias espirituais que podem acontecer a uma pessoa:

Deus estar perto e ela não perceber.


E SE JESUS OLHASSE PARA VOCÊ HOJE?

Imagine por alguns instantes aquela cena.

Jesus para no caminho.

Olha para Jerusalém.

E chora.

Agora traga essa imagem para os nossos dias.

Se Jesus olhasse para nossa cidade, o que veria?

Se olhasse para nossa igreja, o que encontraria?

Se olhasse para nossa família?

Se olhasse para nossa casa?

E se Ele olhasse profundamente para o nosso coração?

Encontraria apenas religião ou relacionamento?

Encontraria aparência ou verdade?

Encontraria gratidão?

Encontraria fome pela presença de Deus?

Encontraria alguém capaz de reconhecer o tempo da visitação?

Não precisamos responder para ninguém.

Essa resposta pertence ao silêncio entre nós e Deus.


QUANDO DEUS VISITA UMA GERAÇÃO

Depois da ressurreição de Jesus, uma nova etapa começou.

Ele prometeu aos discípulos:

“Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo.”Atos 1:8

E no Pentecostes aquela promessa começou a cumprir-se de maneira extraordinária.

O Espírito Santo foi derramado.

Homens e mulheres foram cheios da presença de Deus.

Dons espirituais começaram a manifestar-se.

O Evangelho atravessou fronteiras.

Povos, culturas e nações começaram a ouvir que Jesus Cristo é Senhor.

E essa obra continua.

Ainda existem vidas sendo transformadas.

Ainda existem famílias sendo restauradas.

Ainda existem pecadores encontrando perdão.

Ainda existem pessoas sendo chamadas para a missão.

Ainda existe uma Igreja anunciando:

Jesus salva.

Jesus cura.

Jesus transforma.

Jesus continua chamando pessoas para Si.


NÃO DEIXE JESUS PASSAR SEM RECONHECÊ-LO

Talvez alguém pudesse ter olhado para Jesus naquele dia e pensado:

“Amanhã eu resolvo isso.”

Talvez outro pensasse:

“Um dia eu vou ouvi-lo melhor.”

Talvez outro dissesse:

“Quando minha vida estiver mais tranquila, pensarei nessas coisas.”

Mas ninguém sabia quantas oportunidades ainda teria.

Jerusalém estava vivendo seu momento.

E não percebeu.

Por isso, hoje, quando Deus tocar o seu coração, não endureça.

Quando o Espírito Santo mostrar algo que precisa mudar, não adie.

Quando Deus chamar você para mais perto, aproxime-se.

Quando Deus pedir perdão, perdoe.

Quando pedir reconciliação, reconcilie-se.

Quando chamar para servir, sirva.

Quando chamar para adorar, adore.

Quando chamar para voltar, volte.

Porque talvez a maior tragédia não seja Deus nunca ter falado conosco.

Talvez seja descobrir que Ele falou muitas vezes e nós nunca paramos para ouvir.


AS LÁGRIMAS AINDA FALAM

Jerusalém desaparece lentamente da narrativa.

A multidão continua.

Os acontecimentos caminham em direção à cruz.

Mas aquela imagem permanece.

Jesus olhando para a cidade.

Jesus chorando.

E aquelas lágrimas atravessam os séculos.

Elas dizem:

“Eu me importo com você.”

Elas dizem:

“Eu conheço o seu futuro.”

Elas dizem:

“Eu não tenho prazer na sua destruição.”

Elas dizem:

“Volte enquanto há tempo.”

Talvez hoje não sejam necessárias pedras clamando.

Talvez seja suficiente olhar novamente para as lágrimas de Jesus.

Porque aquele que chorou sobre Jerusalém poucos dias depois carregaria uma cruz.

E naquela cruz demonstraria até onde estava disposto a ir para salvar aqueles que amava.

Por isso, Igreja do Senhor, reconheça o tempo da visitação de Deus.

Não transforme a presença em rotina.

Não transforme o culto em costume.

Não transforme a Palavra em apenas informação.

Não transforme a graça em algo comum.

Se Deus está falando, ouça.

Se Deus está chamando, responda.

Se Deus está visitando, abra o coração.

Porque talvez exista algo ainda mais triste do que ver Jesus chorando sobre Jerusalém.

É imaginar que Ele possa olhar para uma vida cercada de oportunidades, cercada pela Palavra, cercada pela graça, cercada pela presença de Deus...

e ainda tenha de dizer:

“Você não reconheceu a oportunidade que Deus lhe concedeu.”

Hoje é diferente.

Hoje nós podemos reconhecer.

Hoje podemos responder.

Hoje podemos abrir o coração.

Este pode ser o nosso tempo de visitação.

E se o Senhor está passando por nossa vida, que Ele não encontre apenas uma multidão cantando.

Que encontre um coração rendido.


Ap. Ernani Lara

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